A transição para a vida adulta, que ocorre ao completar 18 anos, traz consigo uma série de responsabilidades, incluindo a gestão da própria saúde. Antes, as consultas médicas eram agendadas pelos pais ou responsáveis, mas agora cabe ao jovem tomar a iniciativa de cuidar de si mesmo. Nesse novo cenário, onde a rotina de estudos, trabalho e vida social se torna intensa, a saúde preventiva pode facilmente ser deixada de lado. A falta de sintomas visíveis pode reforçar essa desatenção, levando muitos a acreditar que estão saudáveis quando, na verdade, podem estar negligenciando cuidados essenciais.
Um estudo realizado pelo Centro Médico Wexner, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, revela que essa situação é comum: cerca de 25% dos jovens adultos não têm um médico de atenção primária. Entre aqueles que possuem acompanhamento, apenas 47% realizaram uma consulta de rotina no último ano. Embora focado no cenário americano, os dados levantam uma reflexão importante para o Brasil sobre a conexão entre a adolescência tardia e a adoção de uma rotina de cuidados preventivos.
O silêncio de algumas doenças
A clínica geral da Hapvida, Stephanie Paula Dourado, alerta que a sensação de bem-estar não é um indicativo absoluto de saúde. “Doenças como hipertensão, alterações nos níveis de colesterol e glicemia podem se desenvolver de forma assintomática”, afirma a especialista. Ela ressalta que jovens aparentemente saudáveis também podem apresentar fatores de risco, principalmente se houver histórico familiar. Conhecer esses antecedentes é fundamental para que o médico possa traçar um plano de cuidados apropriado.
É importante frisar que a consulta médica não implica necessariamente em uma série de exames. “Os exames devem ser solicitados conforme a idade, histórico familiar e fatores de risco, evitando a realização de procedimentos desnecessários”, destaca Dourado. Assim, a consulta se torna uma oportunidade valiosa para discutir aspectos frequentemente ignorados no cotidiano, como a pressão arterial, hábitos alimentares, atividade física, sono, vacinação e saúde mental.
A construção de hábitos saudáveis
Para Stephanie Paula, a chegada à vida adulta é um momento crucial para estabelecer hábitos que podem perdurar por toda a vida. “Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, garantir um sono de qualidade, evitar o tabagismo, controlar o peso e cuidar da saúde mental são atitudes que impactam não apenas o presente, mas também o futuro”, explica.
Assim, é essencial que os jovens compreendam que a autonomia adquirida na vida adulta inclui a responsabilidade por sua saúde. “Uma avaliação preventiva periódica, geralmente anual, é uma excelente oportunidade para monitorar a saúde e priorizar a prevenção”, conclui a especialista. Cuidar de si mesmo é um passo importante na jornada da vida adulta.

